quinta-feira, 5 de março de 2026

Apenas desejos

No fundo do peito, 
Há cavernas onde o silêncio sangra, 
E cada desejo oculto 
É uma lâmina embainhada em sombras. 
 
São rios escuros que correm sob a pele, 
Arrastando segredos como corpos submersos, 
Sussurros que o coração enterra 
Para não ser devorado pelo próprio fogo. 
 
Ardem como tochas proibidas, 
Consumindo a carne em segredo, 
Feridas que não fecham, 
Ecoando como tambores na noite. 
 
Às vezes surgem em sonhos, 
Fantasmas de tudo o que não foi vivido, 
Abismos que se abrem atrás dos olhos 
E chamam pelo salto. 
 
Mas o peito cala, porque sabe: 
Se o mundo visse tais desejos, 
Recuaria com medo. 
E assim o coração, em sua escuridão, 
Carrega seu fardo ardente, 
Como um altar secreto 
Alimentado por sangue e silêncio. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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