terça-feira, 29 de setembro de 2026

O governo dos pensamentos

 Não escolho todos os pensamentos que me visitam, 
Mas escolho o lugar que lhes concedo em minha alma. 
A lembrança chega como o vento entre as árvores, 
E o sábio não discute com o vento. 
Observa sua passagem sem lhe oferecer morada. 
O que não depende de mim não me escraviza; 
O que depende de mim é permanecer em paz. 
 
Se o seu nome surge no silêncio da memória, 
Não o recebo como ordem, mas como acontecimento. 
As águas do rio não pedem licença para correr, 
E nem por isso alteram a firmeza das margens. 
Assim também deve ser o espírito: 
Sereno diante do que passa, 
Livre diante daquilo que não pode impedir. 
 
Não desejo esquecer à força, 
Pois toda violência contra si mesmo prolonga a dor. 
Prefiro cultivar a virtude da aceitação, 
Onde cada lembrança encontra seu tempo de partir. 
A paz não nasce da ausência dos pensamentos, 
Mas do domínio que exercemos sobre nossas escolhas. 
E nisso reside a verdadeira liberdade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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