Que não ressoa em boca nem em ar;
É verbo em sombra, oculto e recolhido,
Que só na imaginação vem vibrar.
Não pede voz, nem gesto, nem ouvido,
Prefere o íntimo abismo de pensar;
Ali se faz mais denso e mais sentido,
Qual brisa que não cessa de soprar.
Se o digo em voz, talvez não se faça,
Pois vive do mistério que o sustém;
É chama que no escuro se refaz.
Melhor que em grito algum se desfaça,
Floresce no que o sonho ainda contém:
Um som que cala — e justamente traz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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