terça-feira, 3 de março de 2026

A cegueira das verdades

As verdades não sussurram. 
Elas não pedem licença. 
Elas se impõem como o sol do meio-dia, 
Ardem na retina, 
Marcam a pele, 
Escancaram as sombras. 
 
Há verdades que gritam aos olhos 
Como rachaduras num espelho antigo. 
Estão ali, evidentes, 
Nuas como a miséria, 
Claras como o medo que ninguém admite. 
 
Mas há cegueiras 
Que não moram na falta de visão, 
E sim no excesso de conveniência. 
Há quem feche as pálpebras 
Para não desmontar o próprio mundo. 
Há quem prefira o conforto da escuridão 
À responsabilidade da luz. 
 
Então as verdades aumentam a voz. 
Tornam-se protesto, 
Poema, 
Sangue nas ruas, 
Ou silêncio pesado nas mesas de jantar. 
 
Elas gritam mais alto 
Não porque duvidem de si, 
Mas porque sabem 
Que alguns só escutam 
Quando o mundo começa a ruir. 
 
E mesmo assim, haverá os que dirão: 
“Não ouvi nada.” 
Porque a pior cegueira 
Não é a dos olhos fechados, 
É a dos olhos que se recusam a enxergar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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