As verdades não sussurram.
Elas não pedem licença.
Elas se impõem como o sol do meio-dia,
Ardem na retina,
Marcam a pele,
Escancaram as sombras.
Há verdades que gritam aos olhos
Como rachaduras num espelho antigo.
Estão ali, evidentes,
Nuas como a miséria,
Claras como o medo que ninguém admite.
Mas há cegueiras
Que não moram na falta de visão,
E sim no excesso de conveniência.
Há quem feche as pálpebras
Para não desmontar o próprio mundo.
Há quem prefira o conforto da escuridão
À responsabilidade da luz.
Então as verdades aumentam a voz.
Tornam-se protesto,
Poema,
Sangue nas ruas,
Ou silêncio pesado nas mesas de jantar.
Elas gritam mais alto
Não porque duvidem de si,
Mas porque sabem
Que alguns só escutam
Quando o mundo começa a ruir.
E mesmo assim, haverá os que dirão:
“Não ouvi nada.”
Porque a pior cegueira
Não é a dos olhos fechados,
É a dos olhos que se recusam a enxergar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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