segunda-feira, 2 de março de 2026

A nudez final

 O eterno nada não é um abismo, 
É um silêncio paciente, 
Anterior ao nome das coisas. 
Ele não devora, aguarda. 
 
Nasce do querer, 
Esse sopro inquieto que inventa sentidos, 
Que veste o vazio com promessas 
E chama de destino o que é apenas desejo. 
 
Mas o saber chega como inverno. 
Não grita, não fere, retira. 
Apaga as tintas, dissolve os contornos, 
Revela que toda certeza era febre. 
 
Então o nada, já sem disfarces, 
Não é ausência nem castigo: 
É a nudez final de tudo o que foi sonho. 
 
Querer é criar mundos. 
Saber é assistir à sua lenta despedida. 
E entre ambos, respiramos, 
Breves, intensos, quase eternos. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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