terça-feira, 3 de março de 2026

Aos que leem

 Se lês tão pouco, andarás pela planície, 
Repetindo ecos gastos da multidão; 
Teu pensamento será rasa superfície, 
Refém do vento e da mesma opinião. 
 
Serás mais um na fila dos que passam, 
Sem lume próprio a arder na escuridão; 
Teus olhos verão só formas que disfarçam 
O vasto abismo oculto em cada questão. 
 
Mas se lês muito, acendes outro fogo, 
Rompes o molde estreito do banal; 
Te tornas artífice do próprio jogo. 
 
Pois cada livro é lâmina e é punhal, 
Corta as correntes, rasga o véu do demagogo, 
E faz de um homem raro um ser sem igual. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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