Como uma nuvem escura
Que pairava sobre tua vida esquecida,
Uma sombra lenta atravessando teus dias
Sem sabor e sem memória.
Eu vinha pesado de silêncios,
Carregado de tempestades que não viste,
E ainda assim permaneci ali, suspenso,
Sobre o horizonte pálido do teu mundo
Que já não sabia chover.
Tua vida era um campo sem vento,
Uma estrada que ninguém percorre,
E eu, nuvem errante,
Esperava o momento de cair
Em forma de palavra ou relâmpago.
Mas teus olhos eram janelas fechadas,
Teu coração, uma cidade abandonada,
Onde minhas sombras apenas passavam
Como tardes cinzentas
Que ninguém recorda.
Então parti lentamente no céu do esquecimento,
Dissolvendo-me no frio da distância,
E talvez um dia recordes
Que até as nuvens escuras
Tentam, às vezes, trazer chuva.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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