sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Manter o amor no peito

 O mundo acorda cedo para ensinar 
Que o cinismo é mais barato que a ternura. 
Vendem dureza como se fosse sabedoria. 
Compram máscaras para esconder o cansaço. 
Eu não. 
 
Já conheci portas fechadas, 
Rostos que sorriam apenas para si mesmos, 
Silêncios que pesavam mais do que insultos. 
Isso não fez de mim um santo. 
Apenas alguém que ainda se recusa a endurecer. 
 
Manter o amor no peito 
Não é escrever frases bonitas na parede. 
É voltar para casa depois de um dia ruim 
E não deixar que a amargura escolha o lugar da minha voz. 
Isso exige mais força do que parece. 
 
Ninguém ganha medalhas por continuar acreditando. 
Na maioria das vezes, ninguém percebe. 
O mundo segue apressado, distraído, indiferente. 
Mas algumas derrotas escondem uma estranha dignidade. 
Essa me interessa. 
 
Então que seja assim. 
 Custe o que custar, continuo carregando o amor. 
Não porque espero recompensa, 
Mas porque perder isso seria a única derrota 
Da qual eu realmente não conseguiria voltar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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