Que o cinismo é mais barato que a ternura.
Vendem dureza como se fosse sabedoria.
Compram máscaras para esconder o cansaço.
Eu não.
Já conheci portas fechadas,
Rostos que sorriam apenas para si mesmos,
Silêncios que pesavam mais do que insultos.
Isso não fez de mim um santo.
Apenas alguém que ainda se recusa a endurecer.
Manter o amor no peito
Não é escrever frases bonitas na parede.
É voltar para casa depois de um dia ruim
E não deixar que a amargura escolha o lugar da minha voz.
Isso exige mais força do que parece.
Ninguém ganha medalhas por continuar acreditando.
Na maioria das vezes, ninguém percebe.
O mundo segue apressado, distraído, indiferente.
Mas algumas derrotas escondem uma estranha dignidade.
Essa me interessa.
Então que seja assim.
Custe o que custar, continuo carregando o amor.
Não porque espero recompensa,
Mas porque perder isso seria a única derrota
Da qual eu realmente não conseguiria voltar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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