sábado, 24 de outubro de 2026

O silêncio que fala

 Calei meu peito no instante da partida, 
Quando teu olhar de mim se desprendeu, 
E o que era chama, em silêncio, se perdeu 
Na ausência fria, súbita e contida. 
 
Guardei palavras, dor não proferida, 
Como quem teme o peso do que ardeu; 
Meu verso, antes vivo, em mim morreu 
Sem encontrar tua escuta prometida. 
 
Hoje, o silêncio fala o que não disse, 
Eco tardio de um amor sem voz, 
Que em mim persiste, embora já não seja. 
 
Se ao menos minha coragem existisse, 
Talvez o tempo fosse outro entre nós, 
Ou só mais breve a dor que ainda me inveja. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário