Quando teu olhar de mim se desprendeu,
E o que era chama, em silêncio, se perdeu
Na ausência fria, súbita e contida.
Guardei palavras, dor não proferida,
Como quem teme o peso do que ardeu;
Meu verso, antes vivo, em mim morreu
Sem encontrar tua escuta prometida.
Hoje, o silêncio fala o que não disse,
Eco tardio de um amor sem voz,
Que em mim persiste, embora já não seja.
Se ao menos minha coragem existisse,
Talvez o tempo fosse outro entre nós,
Ou só mais breve a dor que ainda me inveja.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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