domingo, 25 de outubro de 2026

Cada memória sua em mim

 Eu não temo a rapidez com que os dias se desfazem, 
Nem a forma como o tempo escorre pelas minhas mãos. 
As estrelas também morrem em silêncio, 
E mesmo assim iluminam distâncias inimagináveis. 
Carrego dentro de mim essa verdade serena, 
Não fui feito para durar como o universo, 
Fui feito para sentir enquanto atravesso a noite. 
 
Quando encontrei você, 
Algo mudou no movimento do mundo. 
As horas perderam a crueldade costumeira, 
E até o vazio pareceu respirar mais devagar. 
Eu, tão pequeno diante das galáxias infinitas, 
Tive o privilégio impossível de tocar sua existência. 
E desde então, cada memória sua em mim 
Vale mais do que séculos inteiros de solidão. 
 
Se amanhã eu desaparecer como poeira antiga, 
Não partirei lamentando a brevidade da vida. 
Direi ao silêncio que vivi o suficiente para amar. 
Direi ao tempo que ele não venceu tudo em mim. 
Porque houve um instante raro sobre esta Terra 
Em que caminhei ao lado de alguém extraordinário, 
E esse instante fez o universo parecer humano. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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