Quando tudo em mim já se perdeu na penumbra.
Eles rasgam o breu do meu peito,
Luz ferida, última promessa de salvação.
Há dias em que vivo apenas para lembrar
A cor com que me olhavas antes do abismo.
O resto é ruína.
Voz que se cala, corpo que vaga,
Alma que sangra em silêncio.
Se há paz neste existir cansado,
Ela mora no instante em que teus olhos me tocam,
Não como quem ama,
Mas como quem reconhece um condenado à distância.
Porque só os teus olhos,
Negros e infinitos como a noite sem perdão,
Podem salvar-me daquilo em que me tornei.
Um eco do que um dia quis viver.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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