sexta-feira, 17 de abril de 2026

Sementes ao vento

 A poesia que escrevo caminha em silêncio, 
Como quem aprende o caminho do sentir, 
Carrega nos versos aquilo que não digo, 
E nas pausas guarda o que não sei traduzir. 
Ela não pede licença ao seu coração, 
Apenas bate, leve, como quem espera, 
Ser acolhida no instante em que você respira. 
 
Escrevo como quem lança sementes no vento, 
Sem saber onde irão florescer, 
Cada palavra é um gesto invisível, 
Um toque que insiste em acontecer. 
Se alguma delas encontrar seu abrigo, 
Já não será mais minha, será nossa, 
Um segredo partilhado sem voz. 
 
Minha poesia se cumpre no encontro, 
Quando seus olhos a vestem de sentido, 
Quando seu peito responde em silêncio, 
Como se já a tivesse vivido. 
Pois o poema não termina no papel, 
Ele começa quando chega até você, 
E passa a existir dentro do seu sentir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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