Sigo uma forma de viver
Que não grita nos mercados do mundo,
Não disputa palco com os vaidosos,
Não ergue bandeiras para provar que existe,
Apenas respira e caminha.
É uma vida que não se defende
Porque já fez as pazes com suas cicatrizes.
Quem vive assim não precisa vencer debates,
Nem colecionar aplausos,
Nem explicar a própria luz.
Caminho como quem conhece o próprio chão.
Se me empurram, não devolvo o gesto,
Finco os pés mais fundo.
Raiz não grita para a tempestade,
Apenas permanece serena.
Não preciso da aprovação alheia
Porque aprendi que o olhar dos outros
É espelho quebrado:
Reflete mais o medo deles
Do que a minha verdade.
Há uma força silenciosa
Em quem não precisa provar nada.
É a firmeza das montanhas invisíveis,
A coragem das águas subterrâneas,
A dignidade de quem sabe quem é.
Sigo assim,
Sem alarde, sem espetáculo,
Sem pedir licença para existir.
E no silêncio da minha escolha
Há um grito que só eu escuto:
Eu permaneço inabalável.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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