quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Permaneço inabalável

Sigo uma forma de viver 
Que não grita nos mercados do mundo, 
Não disputa palco com os vaidosos, 
Não ergue bandeiras para provar que existe, 
Apenas respira e caminha. 
 
É uma vida que não se defende 
Porque já fez as pazes com suas cicatrizes. 
Quem vive assim não precisa vencer debates, 
Nem colecionar aplausos, 
Nem explicar a própria luz. 
 
Caminho como quem conhece o próprio chão. 
Se me empurram, não devolvo o gesto, 
Finco os pés mais fundo. 
Raiz não grita para a tempestade, 
Apenas permanece serena. 
 
Não preciso da aprovação alheia 
Porque aprendi que o olhar dos outros 
É espelho quebrado: 
Reflete mais o medo deles 
Do que a minha verdade. 
 
Há uma força silenciosa 
Em quem não precisa provar nada. 
É a firmeza das montanhas invisíveis, 
A coragem das águas subterrâneas, 
A dignidade de quem sabe quem é. 
 
Sigo assim, 
Sem alarde, sem espetáculo, 
Sem pedir licença para existir. 
E no silêncio da minha escolha 
Há um grito que só eu escuto: 
Eu permaneço inabalável. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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