Não pelo amor, mas pelo susto.
Ele chegou sem avisar,
Como chuva em tarde limpa,
Como vento que abre janelas
Que jurávamos fechadas.
E talvez por isso doa mais.
Porque não houve tempo de preparo,
Nem espaço para escolher sentir.
Meu amor, eu sei, soa antigo em teus ouvidos.
Não é novidade, não é chama inédita,
É canto repetido,
Melodia que já cansou outros silêncios.
Mas em mim, ele nasce como se fosse o primeiro,
Como se o mundo só agora tivesse aprendido
A pronunciar teu nome.
Perdoa essa pressa do coração,
Essa urgência que não pediu licença.
Não sou eu que amo de repente,
É o amor que irrompe, indomável,
Como se tivesse esperado anos em segredo
Apenas pelo instante de te encontrar.
Se te fere, eu me recolho em silêncio.
Se te cansa, eu transformo em distância.
Mas se em algum canto de ti
Essa velha canção ainda ecoar,
Mesmo baixa, mesmo tímida,
Saberás que não era sobre o tempo,
Mas sobre a eternidade
Disfarçada de encontro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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