E sobe leve nas entrelinhas do vento,
Costurando memórias com invenção,
Faz da dor um suave movimento,
E da vida, um recomeço em expansão.
Há dias em que sua pena é prisão,
E a palavra pesa como lamento antigo,
Mas basta um sopro, uma centelha na mão,
Para romper o silêncio inimigo
E erguer voo sobre a própria solidão.
Ele escreve histórias dentro da história,
Como quem redesenha o próprio destino,
Transforma ausência em tênue memória,
E no caos encontra um traço divino,
Fazendo do instante uma eterna vitória.
Seus versos são asas feitas de tempo,
De tudo aquilo que viveu e perdeu,
Cada linha carrega um contratempo,
Mas também o milagre que nasceu
No abismo entre o sentir e o pensamento.
O poeta segue, entre céu e chão,
Ora ferido, ora pleno de luz,
Carregando em si a contradição
De quem escreve, apaga e ainda produz
Novas histórias na própria imensidão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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