Um sopro improvável entre dois nadas.
A existência não grita, sussurra
Na batida distraída do peito,
Na consciência súbita de que tudo passa.
Viver é segurar água nas mãos,
Sentir o frescor e a fuga no mesmo gesto.
Nada nos pertence por muito tempo,
Nem os dias, nem os rostos, nem os nomes,
Somos hóspedes do instante.
Há uma beleza quase dolorida
Em saber que o agora não se repete.
Cada riso é irreversível,
Cada encontro, uma raridade cósmica,
Cada despedida, uma lei antiga.
Estar aqui, pensando, respirando,
É tocar o mistério sem compreendê-lo.
É saber que a vida, tão breve,
Não pede eternidade, pede presença.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário