Leves, esquecidos.
E há aqueles que permanecem,
Como uma chama acesa
Na memória do tempo.
O dela não pediu licença.
Entrou como quem conhece
Os caminhos secretos da alma,
Como se já soubesse onde o coração
Guarda seus silêncios mais frágeis.
Havia beleza, sim,
Mas não apenas na forma.
Era uma beleza que pensava,
Que sentia, que chamava.
Uma beleza que não se via por inteiro,
Porque parte dela
Se escondia no mistério de cada piscada.
Seus olhos não eram apenas olhos,
Eram perguntas sem resposta,
Eram promessas que não ousavam se dizer,
Eram abismos
Onde a razão se inclinava e desistia.
E foi ali, nesse instante suspenso,
Que algo em mim deixou de ser apenas meu.
Pois quem ama o olhar de alguém
Não ama apenas o que vê,
Ama o que se revela sem palavras,
E, sobretudo,
O que nunca será completamente revelado.
Com o coração apaixonado sigo,
Habitado por esse encontro invisível,
Como quem carrega no peito
Um olhar que se tornou eternidade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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