quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

No vai e vem das calçadas

 Pelas ruas da cidade, 
Vidas se cruzam sem se tocar. 
Olhos carregam mundos inteiros, 
Mas o passo é apressado demais 
Para que alguém ouse enxergar. 
 
No vai e vem das calçadas, 
Cada rosto é um segredo fechado. 
Sorrisos breves, silêncios longos, 
Histórias gritando por dentro 
Numa pressa que cala o passado. 
 
A cidade respira em ruídos, 
Motores, vozes, passos, ecos. 
E em meio ao fluxo incessante, 
Há solidões disfarçadas 
Sob a multidão de trajetos. 
 
Quem anda, busca ou foge, 
Quem corre, sonha ou se esconde. 
Pois toda rua é também espelho 
De um coração que caminha 
Sem saber bem ao certo para onde. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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