Como quem pisa em terra devastada,
Carregando no peito
Dois exércitos que não descansam.
O ódio me chama pelo nome com voz de ferro,
Promete força,
Promete esquecimento,
Promete não sentir,
E por um instante,
Quase cedo à sua disciplina fria.
Mas o amor…
Ah, o amor me encontra
Mesmo quando me escondo de mim,
Toca minhas ruínas como quem ainda vê morada,
E insiste,
Teimoso, quase louco, em me reconstruir.
Minha mente ergue trincheiras,
Calcula cada passo,
Diz que sentir é perigo,
Que lembrar é fraqueza,
Que sobreviver
Exige endurecer até não sangrar mais.
Meu coração, no entanto,
Trai todos os planos.
Abre as portas que fechei,
Acende luz onde jurei cultivar apenas sombras.
E eu…
Eu sou o campo onde tudo isso acontece,
Sou o grito que não sai,
Sou a decisão que nunca termina.
E se há um traidor nesta guerra que me atravessa,
Eu o reconheço agora.
É o medo,
Que me faz recuar do amor
E me entregar ao ódio
Como quem escolhe a própria queda
Disfarçada de proteção.
Mas eu sigo lutando,
Porque no fundo, bem no fundo, eu sei
Não é o mais forte que vence em mim,
É o que eu escolho alimentar no silêncio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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