Carregando noites dentro do peito cansado,
Vejo minha vida passar como fumaça antiga,
Rostos desaparecem na curva do pensamento,
E eu permaneço parado diante do tempo.
Às vezes escuto minha própria alma chorando
Nos corredores silenciosos da madrugada,
Como um relógio ferido marcando ausências,
Como um pássaro perdido longe do inverno,
Procurando abrigo em palavras quebradas.
Escrevo porque o silêncio pesa demais,
Porque há ruínas crescendo dentro de mim,
E ninguém percebe os abismos que escondo
Sob o sorriso cansado das horas comuns,
Sob meus olhos gastos de esperar respostas.
Recordo amores que o vento levou embora,
Promessas afundadas na lama dos dias,
Sonhos envelhecidos antes da manhã chegar,
E a melancolia senta-se ao meu lado
Como uma velha amiga que nunca me abandona.
Mas continuo atravessando essa existência,
Mesmo quando a esperança perde a voz,
Porque ainda há fogo escondido em minha sombra,
E enquanto meu coração suportar o vazio,
Farei da solidão morada para meus versos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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