quinta-feira, 28 de maio de 2026

Se minha voz alcançar alguém

Não quero falar ao mundo 
Como quem vende certezas nas feiras do ruído. 
Quero apenas que a minha voz 
Atravesse as rachaduras do silêncio 
E encontre algum espírito ainda desperto 
Entre os escombros da indiferença. 

Meus versos não nasceram 
Para ornamentar salões vazios, 
Mas para incomodar consciências adormecidas, 
Para arranhar o verniz confortável da ignorância 
Que se fantasia de sabedoria em bocas apressadas. 

Há uma tristeza funda em viver entre pessoas 
Que já não escutam antes de opinar, 
Que confundem grito com verdade 
E repetição com pensamento. 

Escrevo porque me recuso a aceitar 
Que a mediocridade Seja celebrada como virtude 
E que o desprezo pelo conhecimento 
Se torne costume Entre pessoas cansadas de refletir. 

Não desejo aplausos. 
Desejo leitores que sintam o peso das palavras, 
Que parem por um instante diante de um verso 
Como quem encara um espelho inesperado. 

Se minha voz alcançar alguém, 
Que não seja apenas para consolar, 
Mas para despertar. 
Porque há indignações 
 Que não cabem em discursos, 
Precisam incendiar a linguagem 
 Para continuar vivas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário