quinta-feira, 19 de março de 2026

Onde o saber cresce sem alarde

 Estudar não nasce de um instante, 
Não é centelha que acende e se apaga, 
É fio contínuo costurando as horas, 
Um gesto repetido que se torna forma, 
Um ritmo que educa o próprio tempo. 
 
Há quem pense ser tarefa solitária, 
Um bloco isolado no meio do dia, 
Mas é corrente que atravessa tudo: 
O café, o silêncio, a luz da tarde, 
E até o cansaço que insiste em ficar. 
 
Organizar-se é mais que cumprir horários, 
É dar sentido às pequenas escolhas, 
É transformar minutos dispersos 
Em território firme e habitável, 
Onde a mente aprende a permanecer. 
 
O mundo lá fora gira em ruído, 
Notificações, pressa e distrações, 
Um caos vestido de urgência constante, 
Mas quem aprende a ordenar o dia 
Cria dentro de si um lugar de calma. 
 
E nesse espaço, quase invisível, 
O saber cresce sem alarde, 
Como raiz que se aprofunda no escuro, 
Sustentando árvores que ainda virão, 
Sem precisar anunciar sua força. 
 
Assim, estudar deixa de ser esforço, 
E torna-se um modo de existir, 
Um caminho traçado entre os dias, 
Onde cada passo é também abrigo, 
E cada escolha, um gesto de lucidez. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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