quarta-feira, 27 de maio de 2026

O vazio deixado por alguém

 Perambulo confuso pelos corredores da noite, 
Como quem perdeu o próprio nome na fumaça do tempo. 
Cambaleio entre memórias e silêncios partidos, 
Tentando encontrar teus passos dentro do escuro. 
Mesmo sem sair do meu quarto, eu viajo distante, 
Atravesso cidades feitas de lembranças antigas 
E continuo te procurando onde já não estás. 
 
Meu quarto guarda ainda o calor do teu descanso, 
A marca invisível do teu corpo sobre os lençóis. 
Às vezes encaro a porta como quem espera um milagre, 
Ouço ruídos pequenos e invento tua chegada. 
A madrugada se senta ao meu lado em silêncio, 
E eu converso com sombras como um homem febril 
Que se recusa a aceitar a ausência definitiva. 
 
Sigo acordado enquanto o mundo adormece distante, 
Preso entre o desejo e a impossibilidade do retorno. 
Há uma tristeza funda vagando dentro do peito, 
Como chuva esquecida sobre ruas abandonadas. 
Ainda assim, caminho pela noite à tua procura, 
Porque amar também é persistir no impossível 
E sobreviver ao vazio deixado por alguém. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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