Como quem perdeu o próprio nome na fumaça do tempo.
Cambaleio entre memórias e silêncios partidos,
Tentando encontrar teus passos dentro do escuro.
Mesmo sem sair do meu quarto, eu viajo distante,
Atravesso cidades feitas de lembranças antigas
E continuo te procurando onde já não estás.
Meu quarto guarda ainda o calor do teu descanso,
A marca invisível do teu corpo sobre os lençóis.
Às vezes encaro a porta como quem espera um milagre,
Ouço ruídos pequenos e invento tua chegada.
A madrugada se senta ao meu lado em silêncio,
E eu converso com sombras como um homem febril
Que se recusa a aceitar a ausência definitiva.
Sigo acordado enquanto o mundo adormece distante,
Preso entre o desejo e a impossibilidade do retorno.
Há uma tristeza funda vagando dentro do peito,
Como chuva esquecida sobre ruas abandonadas.
Ainda assim, caminho pela noite à tua procura,
Porque amar também é persistir no impossível
E sobreviver ao vazio deixado por alguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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