Ele se escondeu nas dobras do silêncio,
Onde a noite aprende a não dizer teu nome,
E o tempo, cansado, esquece de doer.
Eu me tornei ausência antes de partir.
As lágrimas que um dia te buscaram
Agora evaporam em sonhos sem rosto,
Não há mais mar dentro dos meus olhos,
Apenas um deserto que aprendeu a existir
Sem esperar a chuva do teu retorno.
Guardei tua lembrança em um lugar fechado,
Onde nem mesmo a memória ousa entrar,
Trancei as portas com fios de esquecimento
E deixei a chave cair no fundo dos dias
Que nunca mais serão revisitados.
Se um dia pensares em mim, que seja tarde,
Quando já não houver vestígio do que fomos,
Quando meu nome soar como eco distante
Em uma língua que teu coração não fala mais,
Como um livro que se fecha sem leitura.
Nunca mais verás o meu pranto de saudade,
Porque ele morreu na última despedida,
E no lugar onde antes eu te amava
Cresceu um silêncio firme, quase eterno,
Que não sabe mais chorar por ninguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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