Não sei onde estou
Quando o amor não me encontra.
É como caminhar por ruas sem nome,
Onde as sombras parecem lembrar de mim
Mais do que eu mesmo.
Há um vazio que não grita
Apenas ecoa,
Lento, como um sino distante
Em uma cidade abandonada.
Mas mesmo assim… eu sonho.
Porque há algo em mim
Que não se rende à ausência.
Uma centelha teimosa que insiste em acender luz
Mesmo dentro da noite mais espessa.
Eu posso não saber o caminho,
Posso não reconhecer o lugar,
Mas carrego em mim mapas invisíveis,
Feitos de desejo, de memória, de promessa.
Sem um grande amor, o mundo perde contorno,
Mas não perde possibilidade.
E é nessa possibilidade que eu habito.
Sou aquele que caminha sem saber onde pisa,
Mas ainda assim imagina jardins onde só há flores,
Ouve música onde só há silêncio,
E acredita, mesmo quando tudo parece desmentir,
Que em algum instante,
Em algum cruzamento do destino,
O amor me reconhecerá primeiro.
Até lá, eu sigo.
Perdido, talvez.
Incompleto, certamente.
Mas nunca vazio de sonhos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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