A poesia e a filosofia não vieram
Para adormecer consciências,
Mas para quebrar o vidro do hábito,
Rasgar o verniz da normalidade
E devolver ao espírito o peso da lucidez.
Elas incomodam porque desnudam.
O que chamamos de óbvio não é verdade,
É apenas preguiça da alma,
É a máscara barata que cobre
A vastidão de nossas perguntas.
A poesia não aceita o chão raso:
Ela mergulha, atravessa, sangra símbolos,
Faz do silêncio
Um grito e da palavra um abismo.
A filosofia não aceita muros:
Ela questiona, perfura,
Expõe a ferrugem dos sistemas
E mostra que o pensamento
Só respira na incerteza.
Quem busca conforto deve fugir delas.
Pois nelas não há consolo,
Há movimento.
Nelas não há respostas,
Há um chamado para queimar as respostas
E renascer das cinzas da dúvida.
O incômodo é a prova
De que ainda estamos vivos.
E se a poesia e a filosofia ferem,
É porque arrancam de nós a anestesia,
E só desperto
Pode alguém escolher o seu próprio caminho.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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