Quando olhamos um operário, vemos um escravo,
Não das correntes visíveis, mas do tempo vendido.
Seu suor não pinga no chão:
Escorre para relógios alheios,
Seu nome some no ruído das máquinas,
E seu cansaço nunca assina o próprio descanso.
Ele acorda antes do sol aprender a nascer,
Carrega o mundo nas costas sem nunca possuí-lo,
Constrói casas onde jamais dormirá,
Ergue pontes que não atravessam sua vida,
E aprende cedo que dignidade não paga aluguel.
Chamam de trabalho aquilo que o consome inteiro,
De escolha aquilo que nunca foi opção,
De mérito a sobrevivência forçada.
Quando olhamos um operário,
Vemos um escravo moderno:
Livre apenas para continuar obedecendo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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