segunda-feira, 16 de março de 2026

Escravo moderno

Quando olhamos um operário, vemos um escravo, 
Não das correntes visíveis, mas do tempo vendido. 
Seu suor não pinga no chão: 
Escorre para relógios alheios, 
Seu nome some no ruído das máquinas, 
E seu cansaço nunca assina o próprio descanso. 
 
Ele acorda antes do sol aprender a nascer, 
Carrega o mundo nas costas sem nunca possuí-lo, 
Constrói casas onde jamais dormirá, 
Ergue pontes que não atravessam sua vida, 
E aprende cedo que dignidade não paga aluguel. 
 
Chamam de trabalho aquilo que o consome inteiro, 
De escolha aquilo que nunca foi opção, 
De mérito a sobrevivência forçada. 
Quando olhamos um operário, 
Vemos um escravo moderno: 
Livre apenas para continuar obedecendo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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