Caminho com os pés no instante,
Mas com a alma adiantada,
Sempre um pouco depois do tempo,
Como quem escreve cartas
Para um mundo que ainda não nasceu.
Imagino aventuras que ainda não aconteceram,
Mas já carregam o peso da saudade.
Elas me chamam, não como gritos,
Mas como ecos suaves de um futuro
Que insiste em existir dentro de mim.
Clamo poemas
Como quem acende fogueiras no escuro,
Não para iluminar o caminho,
Mas para lembrar que há caminho.
Cada verso é um sinal lançado ao desconhecido,
Uma tentativa de ser entendido
Por olhos que ainda virão.
Deito simbolismo como quem semeia silêncio:
Palavras enterradas na terra do invisível,
Esperando florescer em significados
Que nem eu compreendo por inteiro.
Sou menos o dono do poema
E mais o seu primeiro testemunho.
E quando durmo, não descanso,
Atravesso o desconhecido.
Meu sono é uma ponte onde desfilam eras,
Rostos antigos, ruínas futuras,
Civilizações que nascem e desaparecem
No intervalo de um suspiro.
Vejo o que foi, o que é,
O que ainda sangra para existir.
E acordo com fragmentos em mim,
Não de sonhos,
Mas de memórias que o tempo ainda não viveu.
Sou o poeta
Que escreve antes do mundo aprender a ler.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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