Há uma noite que nunca termina.
Os desejos ocultos não são apenas sombras,
São a própria argila que molda o ser,
Fendas pelas quais escorre a verdade
Que não suportamos nomear.
Cada silêncio guardado
Torna-se uma espinha dorsal invisível,
Cada chama sufocada
Esculpe o rosto que mostramos ao mundo.
Não somos o que dizemos,
Somos o que escondemos.
Esses desejos são feridas abertas
Onde o tempo se alimenta,
Abismos que nos olham de volta
E nos lembram que existir
É sempre carregar algo que não cabe
Na superfície da vida.
E talvez a identidade
Não seja mais que isso.
Um pacto com o escuro,
Um acordo secreto
Entre aquilo que o mundo vê
E aquilo que nunca poderá suportar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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