quarta-feira, 25 de março de 2026

Um pacto com o escuro

 No coração silencioso, 
Há uma noite que nunca termina. 
Os desejos ocultos não são apenas sombras, 
São a própria argila que molda o ser, 
Fendas pelas quais escorre a verdade 
Que não suportamos nomear. 
 
Cada silêncio guardado 
Torna-se uma espinha dorsal invisível, 
Cada chama sufocada 
Esculpe o rosto que mostramos ao mundo. 
Não somos o que dizemos, 
Somos o que escondemos. 
 
Esses desejos são feridas abertas 
Onde o tempo se alimenta, 
Abismos que nos olham de volta 
E nos lembram que existir 
É sempre carregar algo que não cabe 
Na superfície da vida. 
 
E talvez a identidade 
Não seja mais que isso. 
Um pacto com o escuro, 
Um acordo secreto 
Entre aquilo que o mundo vê 
E aquilo que nunca poderá suportar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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