Um silêncio que dizia mais que palavras,
Como se o mundo ali se curvasse,
Suave, inteiro, inevitável,
Para que eu enfim me perdesse em ti.
Havia luz nas tuas pupilas,
Não uma luz qualquer, mas viva,
Dessas que acendem memórias futuras,
E fazem do instante um eterno,
Como um segredo sussurrado ao destino.
Teu olhar me atravessou sem pressa,
Leu em mim o que nem eu sabia,
Desfez minhas certezas frágeis,
E refez meus sentidos perdidos,
Como quem redesenha a própria alma.
Eu, que andava disperso no mundo,
Aprendi em teus olhos o caminho,
Não de volta, mas de encontro,
Onde tudo faz sentido sem razão,
E o coração ousa enfim descansar.
Se amar é nascer outra vez,
Foi no teu olhar que despertei,
Não como quem chega, mas como quem fica,
Habitando esse brilho que me chama,
E me torna, em ti, infinito.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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