domingo, 24 de maio de 2026

O tempo verdadeiro nunca espera

Quase perdi os sinais daquela manhã, 
O tremor invisível escondido nas pequenas coisas. 
Passei apressado pelas vozes da rua, 
Pelas coincidências que me chamavam pelo nome, 
Como se o impossível fosse apenas um engano da esperança. 
Mas havia algo respirando dentro do instante, 
Uma espécie de destino tentando tocar meu ombro. 

Durante muito tempo temi aquilo que não podia explicar. 
Achei mais seguro permanecer entre certezas gastas, 
Vendo as oportunidades morrerem silenciosamente diante de mim. 
Ainda lembro quantas portas deixei se fecharem 
Por imaginar que o momento perfeito viria depois. 
Hoje entendo que o tempo verdadeiro nunca espera demais 
E que a coragem quase sempre chega atrasada. 

Agora caminho atento às pequenas febres do mundo. 
Escuto os silêncios como quem decifra constelações antigas. 
Aprendi que o impossível não pede licença para existir, 
Ele apenas surge entre uma perda e outra, 
Esperando que eu tenha coragem de reconhecê-lo. 
E quando sinto o instante abrir sua luz diante de mim, 
Já não permito que meus medos decidam sozinho. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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