Como quem ora diante do invisível,
Guardarei o amor no fundo do peito,
Mesmo que o mundo me peça dureza,
Mesmo que a vida me ensine o contrário.
Há dias em que tudo pesa e retorna,
Como se o tempo girasse em círculos,
E aquilo que hoje me fere em segredo
Amanhã venha com o mesmo nome,
Vestido apenas de outra forma.
E eu, cansado dessa repetição,
Quase cedo ao frio das ausências,
Quase deixo o coração endurecer,
Quase esqueço o que um dia senti,
Quase me perco de mim mesmo.
Mas algo em mim ainda resiste,
Uma centelha teimosa de ternura,
Um gesto invisível de esperança,
Que insiste em nascer entre ruínas,
Como flor em meio ao chão rachado.
Guardo o amor, custe o que custar,
Não como quem vence, mas como quem persiste,
Não como força, mas como escolha,
Pois se tudo volta: dor, tempo e ausência,
Que volte em mim aquilo que me salva.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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