Como quem não entende o próprio gesto,
Como quem toca uma chama
Sem saber se aquece ou queima.
Foi um amor desalinhado, quase torto,
Desses que não cabem nas palavras bonitas,
Mas insistem em existir mesmo assim.
Amei no silêncio mais do que na fala,
Nos intervalos, nos desvios, nos erros.
Amei sem saber direito como se ama,
E talvez por isso tenha sido tão verdadeiro,
Porque não tinha forma, só intensidade.
Havia algo de estranho, sim,
Como um sonho que não se explica ao acordar.
Mas era real naquilo que doía,
Real no que faltava, no que escapava,
Real como aquilo que nunca se repete.
Se foi imperfeito, foi humano.
Se foi confuso, foi sincero.
O meu amor por você
Foi um descompasso bonito
Entre sentir e saber amar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário