Um sopro que me encontra antes do pensamento,
Como se o coração soubesse antes da vida
O caminho exato do teu nome em mim.
E tudo começa quando simplesmente existes.
Não te procuro, és presença inevitável,
Como a luz que invade sem pedir licença,
Como o vento que conhece todas as frestas.
Pensar em ti é apenas ceder ao que já sou:
Um eco do amor que em mim te habita.
E se escrevo, não é por escolha ou vaidade,
É porque o sentir transborda em linguagem,
Porque teu nome se torna verbo em mim,
E cada silêncio teu vira verso inteiro,
Mesmo quando nada é dito entre nós.
Há poesia no gesto invisível de te lembrar,
Na ausência que ainda assim te desenha,
No instante em que o mundo se cala
E resta apenas esse amor que insiste,
Como um poema que nunca se encerra.
Amar-te é isso: uma escrita sem fim,
Um livro que não precisa de páginas,
Um verso que se repete sem desgaste.
E em cada batida do meu coração,
És tu, palavra eterna, sendo dita.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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