sábado, 18 de abril de 2026

És presença inevitável

 Amar-te é um ofício sem método nem medida, 
Um sopro que me encontra antes do pensamento, 
Como se o coração soubesse antes da vida 
O caminho exato do teu nome em mim. 
E tudo começa quando simplesmente existes. 
 
Não te procuro, és presença inevitável, 
Como a luz que invade sem pedir licença, 
Como o vento que conhece todas as frestas. 
Pensar em ti é apenas ceder ao que já sou: 
Um eco do amor que em mim te habita. 
 
E se escrevo, não é por escolha ou vaidade, 
É porque o sentir transborda em linguagem, 
Porque teu nome se torna verbo em mim, 
E cada silêncio teu vira verso inteiro, 
Mesmo quando nada é dito entre nós. 
 
Há poesia no gesto invisível de te lembrar, 
Na ausência que ainda assim te desenha, 
No instante em que o mundo se cala 
E resta apenas esse amor que insiste, 
Como um poema que nunca se encerra. 
 
Amar-te é isso: uma escrita sem fim, 
Um livro que não precisa de páginas, 
Um verso que se repete sem desgaste. 
E em cada batida do meu coração, 
És tu, palavra eterna, sendo dita. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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