Como quem não segura
A própria alma dentro do peito,
Como quem deixa escapar, em palavras,
Aquilo que a realidade não suporta dizer.
Há uma espécie de verdade nos sonhos
Que o dia insiste em negar.
E é nesse território indeciso,
Entre o que fui e o que ainda não sou,
Que a poesia nasce, silenciosa e inevitável.
Escrever sonhando é dissolver os limites:
O tempo já não fere,
A ausência já não pesa,
E o amor, mesmo impossível,
Ganha corpo de eternidade.
Sou feito desses fragmentos oníricos,
Dessas imagens que não pedem lógica,
Mas imploram por sentido.
E cada verso que surge
É um vestígio de mim em estado de sonho.
A verdade é que, no fundo,
Não sou eu que escrevo a poesia,
É ela que me conquista primeiro,
E me transforma em palavra
Antes mesmo que eu desperte.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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