sexta-feira, 24 de abril de 2026

Antes que nasça a poesia

 Sonhando, escrevo 
Como quem não segura 
A própria alma dentro do peito, 
Como quem deixa escapar, em palavras, 
Aquilo que a realidade não suporta dizer. 
 
Há uma espécie de verdade nos sonhos 
Que o dia insiste em negar. 
E é nesse território indeciso, 
Entre o que fui e o que ainda não sou, 
Que a poesia nasce, silenciosa e inevitável. 
 
Escrever sonhando é dissolver os limites: 
O tempo já não fere, 
A ausência já não pesa, 
E o amor, mesmo impossível, 
Ganha corpo de eternidade. 
 
Sou feito desses fragmentos oníricos, 
Dessas imagens que não pedem lógica, 
Mas imploram por sentido. 
E cada verso que surge 
É um vestígio de mim em estado de sonho. 
 
A verdade é que, no fundo, 
Não sou eu que escrevo a poesia, 
É ela que me conquista primeiro, 
E me transforma em palavra 
Antes mesmo que eu desperte. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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