É como se o tempo continuasse andando,
Mas sem destino certo,
Apenas um arrastar cansado de horas vazias.
Há uma espécie de tortura delicada nisso:
Não é dor que explode,
É dor que permanece.
Ela se instala nos pequenos espaços,
No intervalo entre um pensamento e outro,
No instante em que o mundo
Deveria fazer sentido, mas não faz.
Tudo continua igual,
E ainda assim tudo falta.
As ruas, as vozes, os dias…
Todos parecem cenários abandonados
De algo que já foi vivo.
O pior não é a ausência do seu corpo,
É a ausência do que você despertava em mim.
Sem você, sou menos inteiro.
Menos som, menos cor, menos fogo.
Então continuo meu caminho
Carregando essa saudade que não grita alto,
Mas corrói em silêncio,
Como quem sabe que amar
Também é aprender a suportar a falta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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