O escritor é um caçador de instantes invisíveis.
Enquanto o mundo passa apressado,
Ele permanece, olhos abertos, alma inclinada,
Recolhendo o que os outros deixam cair sem perceber.
Há histórias escondidas no ranger de uma porta,
No silêncio entre duas palavras,
Na lágrima que não chega a cair.
O olhar atento não apenas vê,
Ele escuta o que não foi dito.
Cada cena da vida,
Por mais banal, é um campo fértil.
Uma conversa de esquina pode ser um romance,
Um adeus apressado pode carregar uma eternidade,
Um gesto mínimo pode revelar um abismo inteiro.
O escritor transforma o comum em revelação.
Ele encontra oportunidades
Não porque o mundo as oferece prontas,
Mas porque sabe cavar sentido onde só havia rotina.
Dessa forma, vivendo entre o que é
E o que poderia ser,
Ele reescreve a realidade
Com o delicado poder da percepção,
Fazendo do olhar, não apenas visão, mas criação.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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