Mesmo quando o vento sopra contra a chama,
É segurar o livro com mãos trêmulas
Enquanto o mundo grita por pressa e esquecimento,
E ainda assim escolher permanecer inteiro.
Ler é atravessar silenciosamente o abismo,
É conversar com vozes que o tempo não calou,
É beber da fonte invisível das palavras,
Onde a alma se reconhece e se refaz,
Longe da aridez dos dias automatizados.
Há um combate que não se vê nas ruas,
Mas arde dentro de cada consciência desperta,
Um esforço contínuo de não se tornar pedra,
De não aceitar a frieza como destino,
De não negociar o próprio sentir.
Ser humano é insistir na delicadeza,
Mesmo quando tudo endurece ao redor,
É permitir que a dor ainda nos atravesse,
Como prova de que não fomos anestesiados,
Como lembrança de que ainda há vida pulsando.
Ler é seguir, entre páginas e silêncios,
Resgatando fragmentos de nós mesmos,
Costurando sentido onde há ruptura,
Resistindo ao esquecimento com palavras,
Para não perder aquilo que nos faz humanos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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