E, no entanto, disse tudo no silêncio.
Guardei no peito
Aquilo que não encontrou coragem na voz,
Como se as palavras fossem frágeis demais
Para atravessar a distância que nasceu
No instante em que o seu olhar
Se afastou do meu.
Desde aquele dia,
Vivo de frases inacabadas,
De confissões que nunca tocaram o ar,
De um amor que aprendeu
A existir sem testemunhas.
Havia um universo inteiro
Querendo acontecer entre nós,
Mas ele ficou suspenso,
Como uma respiração que não se completa.
Você partiu com os olhos,
E eu fiquei com o que eles deixaram.
Um vazio que tem o seu nome,
E um silêncio que insiste em me lembrar
De tudo o que eu não disse.
O mais profundo dos sentimentos
Não morre por falta de amor,
Morre por falta de coragem.
E o meu…
Ainda vive, quieto,
Esperando um passado que já não volta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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