quinta-feira, 2 de abril de 2026

Nenhuma vida é pequena demais

 Há um sopro antigo em cada rosto humano, 
Uma chama que não se apaga no tempo, 
Mesmo quando a dor escurece os olhos, 
Mesmo quando o mundo insiste em medir o valor, 
Algo permanece, indizível, intacto. 
 
Somos feitos de quedas e recomeços, 
De silêncios que ninguém escuta, 
De batalhas travadas por dentro, 
E ainda assim carregamos uma luz, 
Mesmo quando não sabemos nomeá-la. 
 
Nenhuma vida é pequena demais, 
Nenhuma história é inútil ao todo, 
Há universos inteiros em cada gesto, 
E mistérios guardados em cada olhar, 
Como se o infinito coubesse no humano. 
 
Chamamos de diferença aquilo que nos revela, 
Rostos múltiplos de uma mesma origem, 
Cada cultura, cada fé, cada corpo, 
Uma variação do mesmo enigma vivo, 
Uma linguagem diversa do mesmo sagrado. 
 
No fim, quando tudo se desfaz, 
Resta apenas aquilo que fomos no outro, 
O cuidado, o respeito, o reconhecimento, 
Como quem toca o invisível com reverência, 
E descobre que também é sagrado. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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