Ergue-se altivo o Marco do Jauru, testemunha de eras passadas,
Quando os homens de coroa e espada vinham do além-mar,
Trazendo consigo tratados e mapas, cercados de soldados e escribas,
E diante dos rios imensos e do verde pantanal
Ousaram fincar, na pedra fria, o selo do poder e da conquista.
Ali ficou inscrita não apenas a fronteira de dois impérios,
Mas a memória de sangue, suor e silêncio,
Dos que aqui viviam muito antes da chegada dos conquistadores,
E dos que, sob o peso da história, ergueram seus destinos.
II
Oh Cáceres, cidade de braços abertos sobre o rio Paraguai,
Em ti repousa este monumento, não como simples pedra,
Mas como altar da memória coletiva,
Lembrando a teus filhos que a grandeza não se mede em conquistas,
Mas na força de preservar o que é raiz, o que é herança,
O que dá sentido à terra em que caminhamos.
Pois não há futuro sem memória,
Nem povo sem história,
E o Marco é guardião dessa verdade eterna,
Um livro de granito que o tempo não consome.
III
Quantos que passam por ele não veem além da matéria,
Não sentem que ali ecoam as vozes de antigos tratados,
Dos que disputaram terras, rios e destinos?
E quantos esquecem que a perda da lembrança
É a mais amarga derrota de uma sociedade?
Por isso clamo, em voz alta e solene,
Que o Marco do Jauru seja mais que ruína esquecida,
Seja patrimônio vivo, ensinado às crianças,
Honrado em festas, preservado com zelo,
Pois ao protegê-lo, protegemos a nós mesmos.
IV
Que se levantem, pois, os cacerenses,
Herdeiros de um passado de encontros e choques,
E vejam no Marco não apenas um sinal de fronteira,
Mas um farol de identidade,
Uma pedra que sustenta o espírito da cidade.
E que os séculos vindouros, ao contemplar seu perfil,
Saibam que houve um povo que não deixou
A poeira do descuido apagar a memória,
Mas que a transformou em chama,
Firme como granito, ardente como esperança.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense


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