O amor é esse tradutor silencioso do infinito.
Ele aprende a linguagem das estrelas
Não pelo brilho, mas pela distância.
Porque amar é justamente isso:
Decifrar o que está longe como se fosse íntimo,
Tocar o inalcançável
Como quem reconhece um velho conhecido.
Se o amor consegue ler o que está escrito
Na mais remota das estrelas,
É porque ele não lê com os olhos
Lê com ausência, com desejo, com espera.
E tudo aquilo que é vasto demais para ser dito
Se curva diante de quem ousa sentir.
Por que não revelaria o seu coração?
O coração é menor que uma galáxia,
Menos misterioso que o tempo,
Menos silencioso que a noite.
Talvez o amor já o tenha lido,
Em cada gesto interrompido,
Em cada palavra que você não disse,
Em cada suspiro que escapou sem nome.
O amor não faz perguntas.
Ele reconhece o olhar, o sorriso.
Antes mesmo de você se entender,
Ele já te escreveu inteira
No infinito céu de alguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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