sábado, 4 de abril de 2026

Uma saudade que nunca nasceu

 Houve um instante que não existiu, 
Mas que insiste em permanecer. 
Teu corpo sensual, tão próximo, 
Não era carne, nem ausência, 
Era um quase, 
Um sopro moldado na forma do desejo. 
 
Te segurei como quem segura o inevitável, 
Como quem abraça a própria ilusão 
E, ainda assim, acredita. 
Havia calor, ou memória dele. 
Havia desejo, ou vontade de sentir. 
Havia você, inteira, 
Cabendo no espaço exato entre meus braços 
E aquilo que me faltava. 
 
E quando acordei, 
Não foi o vazio que me doeu, 
Foi a perfeição do que não aconteceu. 
Não posso negar que certos sonhos 
Não querem se realizar, 
Querem apenas nos lembrar 
Daquilo que somos capazes de sentir 
Quando a realidade falha. 
 
Na minha imaginação, 
Carrego teu corpo inexistente 
Como uma saudade que nunca nasceu, 
Mas insiste… 
Em não morrer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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