Mas que insiste em permanecer.
Teu corpo sensual, tão próximo,
Não era carne, nem ausência,
Era um quase,
Um sopro moldado na forma do desejo.
Te segurei como quem segura o inevitável,
Como quem abraça a própria ilusão
E, ainda assim, acredita.
Havia calor, ou memória dele.
Havia desejo, ou vontade de sentir.
Havia você, inteira,
Cabendo no espaço exato entre meus braços
E aquilo que me faltava.
E quando acordei,
Não foi o vazio que me doeu,
Foi a perfeição do que não aconteceu.
Não posso negar que certos sonhos
Não querem se realizar,
Querem apenas nos lembrar
Daquilo que somos capazes de sentir
Quando a realidade falha.
Na minha imaginação,
Carrego teu corpo inexistente
Como uma saudade que nunca nasceu,
Mas insiste…
Em não morrer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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