segunda-feira, 13 de abril de 2026

A rua

 A rua, outrora calma e conhecida, 
Guardava passos, nomes e destinos; 
No tempo lento, vozes eram hinos 
De uma presença simples, repartida. 
 
Hoje, é um ruído em fuga desmedida, 
Vitrine de desejos tão cristalinos, 
Onde se cruzam vultos peregrinos 
Sem ver na outra face uma acolhida. 
 
Longa, se estende além de qualquer fim, 
Magra, carrega ausências no seu chão, 
Multidão feita de um só deserto, enfim. 
 
Mas algo insiste, oculto na pressão: 
Um resto de encontro dentro de mim, 
Um sopro antigo em meio à dispersão. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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