terça-feira, 7 de abril de 2026

Viver com poesia

 No silêncio onde o mundo se desfaz em pressa, 
Nasce a poesia como um sopro antigo, 
Não nos lábios, mas no intervalo do sentir, 
Onde a alma repousa entre o ser e o mistério, 
E aprende que existir também é escutar. 
 
Há um sagrado discreto no olhar que contempla, 
Na mão que toca o instante com leveza, 
Como se cada segundo fosse matéria divina, 
Moldada pelo afeto de quem percebe, 
Que o infinito habita o que é pequeno. 
 
A alma poética não foge da dor, atravessa, 
Recolhe seus fragmentos como quem colhe estrelas, 
E no escuro costura sentidos improváveis, 
Fazendo da lágrima um espelho de luz, 
E da queda, um novo modo de voo. 
 
Viver com poesia é recusar o endurecimento, 
É permanecer sensível entre ruínas e ruídos, 
É fazer do gesto simples uma oferenda, 
E da palavra, um abrigo onde o mundo respira, 
Mesmo quando tudo parece desabar. 
 
Assim segue a alma, vasta, indomável, desperta, 
Carregando universos dentro do peito, 
Transformando o comum em eternidade breve, 
Como quem sabe que a vida é mais que passagem. 
É um verso inacabado que insiste em florescer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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