Nasce a poesia como um sopro antigo,
Não nos lábios, mas no intervalo do sentir,
Onde a alma repousa entre o ser e o mistério,
E aprende que existir também é escutar.
Há um sagrado discreto no olhar que contempla,
Na mão que toca o instante com leveza,
Como se cada segundo fosse matéria divina,
Moldada pelo afeto de quem percebe,
Que o infinito habita o que é pequeno.
A alma poética não foge da dor, atravessa,
Recolhe seus fragmentos como quem colhe estrelas,
E no escuro costura sentidos improváveis,
Fazendo da lágrima um espelho de luz,
E da queda, um novo modo de voo.
Viver com poesia é recusar o endurecimento,
É permanecer sensível entre ruínas e ruídos,
É fazer do gesto simples uma oferenda,
E da palavra, um abrigo onde o mundo respira,
Mesmo quando tudo parece desabar.
Assim segue a alma, vasta, indomável, desperta,
Carregando universos dentro do peito,
Transformando o comum em eternidade breve,
Como quem sabe que a vida é mais que passagem.
É um verso inacabado que insiste em florescer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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