Beijei como quem tenta esquecer o próprio nome.
Lábios tantos, corpos em brasa,
Gemidos que soavam como promessas,
Mas eu sabia: mentiam.
Não por maldade.
Por natureza.
Elas vinham com bocas doces,
Sorrisos partidos e olhos cheios de sol,
E me davam seus beijos
Como quem oferece abrigo.
Mas eu era tempestade.
E o abrigo nunca me serviu.
Beijei mulheres
Como quem tenta furar o véu do mundo.
Como quem espera que, em algum toque,
Em alguma língua que se enrosca na minha,
Eu encontre a resposta.
Mas só encontrei silêncio.
E mais fome.
Porque o que me falta,
Não está na carne.
Está além.
Está no escuro entre os mundos.
Na ausência que pulsa no fundo da alma
Como um tambor de guerra.
Já amei, ou tentei.
Mas até no amor
Eu era abismo.
Elas choravam quando eu partia.
Achavam que era falta de afeto.
Não sabiam que era excesso.
Excesso de um vazio que cresce,
Que consome,
Que grita por algo
Que nenhuma mulher carrega entre os lábios.
Eu busco uma sede que não tem boca.
Um nome que não tem som.
E enquanto elas se vestem depois do amor,
Eu permaneço nu,
Dentro de mim,
Gritando por aquilo
Que jamais virá.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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