Foi silenciar a voz lúcida que, em mim,
Já te conhecia antes de você existir.
A razão sussurrava como um vento antigo,
Alertando sobre teus abismos
Disfarçados de ternura,
Mas eu, cego pela promessa do teu olhar,
Escolhi o incêndio em vez da luz.
Há um tipo de erro que não nasce da ignorância,
Mas da escolha consciente de se perder.
Eu sabia, eu sentia isso,
E mesmo assim fui.
Porque há amores que não pedem permissão,
Invadem como tempestades em casas frágeis,
E quando percebemos,
Já estamos chamando de lar
Aquilo que nos desmorona.
Meu pecado foi esse.
Trair a mim mesmo em nome de um sentimento
Que não sabia permanecer.
E agora, entre os destroços,
É a razão, aquela antiga voz esquecida,
Quem recolhe os pedaços que o amor deixou.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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