domingo, 19 de abril de 2026

A prisão que te cala

 Eles nos ensinaram a sorrir com o rosto, 
Enquanto o espírito apodrecia em silêncio. 
Diziam: “seja forte”, 
Mas queriam dizer: “se conforme”. 
 
Crescemos enjaulados em palavras alheias, 
"Normal", "certo", "aceitável". 
A língua virou grilhão, 
E o pensamento, cela acolchoada. 
 
Somos corpos treinados para se curvar 
Diante de deuses sem rosto, 
Status, moral, aparência. 
Sacrificamos o íntimo 
No altar do coletivo. 
 
Há gritos que só ecoam por dentro, 
Afogados em expectativas herdadas. 
Ser livre dói mais do que ser escravo, 
Porque te faz ver 
A prisão que você mesmo construiu. 
 
Não há grades, mas há normas. 
Não há guardas, mas há julgamentos. 
Não há chicotes, 
Mas cada elogio por obediência 
É um novo elo na corrente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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