Enquanto o espírito apodrecia em silêncio.
Diziam: “seja forte”,
Mas queriam dizer: “se conforme”.
Crescemos enjaulados em palavras alheias,
"Normal", "certo", "aceitável".
A língua virou grilhão,
E o pensamento, cela acolchoada.
Somos corpos treinados para se curvar
Diante de deuses sem rosto,
Status, moral, aparência.
Sacrificamos o íntimo
No altar do coletivo.
Há gritos que só ecoam por dentro,
Afogados em expectativas herdadas.
Ser livre dói mais do que ser escravo,
Porque te faz ver
A prisão que você mesmo construiu.
Não há grades, mas há normas.
Não há guardas, mas há julgamentos.
Não há chicotes,
Mas cada elogio por obediência
É um novo elo na corrente.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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