quarta-feira, 22 de abril de 2026

Acordado

 Tem amores que não dormem, 
Apenas fecham os olhos para o mundo, 
Mas permanecem despertos por dentro, 
Como uma chama que não se entrega ao vento, 
Como um nome que insiste em ser lembrado. 
 
Talvez esse amor esteja acordado em silêncio, 
Vigiando teus passos à distância, 
Recolhendo teus gestos 
Como quem coleciona relíquias, 
Esperando o instante exato 
Em que dois destinos ousam se reconhecer. 
 
É um amor que respira nas entrelinhas, 
Que não precisa de voz para existir, 
Porque pulsa 
No intervalo entre um pensamento e outro, 
Como se o coração tivesse aprendido 
A falar sem pedir permissão à razão. 
 
Mesmo quando tudo parece adormecido, 
As ruas, os dias, os próprios sentimentos, 
Há algo que insiste em permanecer desperto: 
Esse amor que não se cansa de esperar, 
Como se soubesse que, cedo ou tarde, 
Será chamado pelo nome. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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