Tem um tipo de pensamento que não faz ruído,
Ele chega como sombra suave ao entardecer,
Não pede nome, nem forma, nem destino,
Apenas repousa entre um instante e outro,
Como se o tempo também precisasse respirar.
Pensar em silêncio é tocar o invisível,
É segurar a água fugidia da existência,
E sentir que ela escorre pelos dedos atentos,
Não por descuido, mas por natureza,
Como tudo aquilo que insiste em passar.
O tempo não grita sua passagem,
Ele se move com passos que não ouvimos,
E chamamos de rotina o seu disfarce,
Sem notar que cada hábito repetido
É também uma pequena despedida.
Somos feitos de instantes que se dissolvem,
De presenças que já começam a partir,
Como pegadas frágeis na areia do agora,
Que o vento apaga sem pedir licença,
Lembrando que ficar nunca foi promessa.
Ainda assim há luz nessa brevidade,
Pois o que passa carrega um brilho único,
O efêmero é também o que mais toca,
E talvez viver seja só isso:
Sentir profundamente o que não permanece.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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